1º PubhD Porto: o rescaldo

Liliana Abreu, doutoranda na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) em Saúde Pública e investigadora na Unidade de Comunicação de Ciência do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), começou por falar do conceito multidimensional de literacia em contexto de saúde, cuja grande fragilidade assenta na forma como essa mesma literacia pode ser medida. Normalmente, só se consegue medir a primeira dimensão do conceito: a capacidade de reconheer termos médicos. Mas, como notou a investigadora, reconhecer não é o mesmo que entender sobretudo num tempo em que ainda é muito limitado o conhecimento que existe sobre a forma como a informação sobre doenças é apropriada pelas pessoas, bem como a forma como estas a usam, ou mesmo, como combinam as diferentes fontes de informação a que recorrem. Em traços gerais, a pergunta que Liliana Abreu tenta responder com a sua tese é: como é que as pessoas fazem a gestão da sua doença? Para isso, ela fez entrevistas em centros de cuidados de saúde primários,  tentando analisar quais as fontes de informação mais comuns através das narrativas da doença. Estas narrativas são depois categorizadas de acordop1060975 com o nível de impacto da doença na vida do doente. Na sua apresentação, Liliana Abreu destacou uma das conclusões do seu trabalho que aponta para a importância das redes de mediação como factor preponderante para a capacidade da pessoa em gerir a sua doença.

A riqueza do conhecimento

“Esqueci-me e depois lembrei-me”. A frase é de Iris Breda, investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais, ao responder a um dos presentes que queria saber por que razão tinha ela mudado de Engenharia do Ambiente para Astronomia. Desde criança que esta jovem cientista tem a paixão pelo estudo do universo, mas essa paixão estava como que adormecida e despertou já durante a sua licenciatura. Iris falou sobre os diferentes tipos de galáxias, destacando as elípticas e espirais (ela trabalha com p1060989estas últimas). O seu trabalho ajuda a compreender por que é que existem tantos tipos diferentes de galáxias. Iris Breda acredita que a imensa diversidade de galáxias que se observa tem mais a ver com os diferentes estados evolutivos destas do que propriamente com a existência de diferentes galáxias. Iris Breda referiu ainda que a sua incursão na Astronomia, para além de um grande investimento pessoal em estudo, deve-se também a uma “curiosidade insaciável”, pois “a nossa maior riqueza é o conhecimento”.

Mariana Barbosa, mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade Católica e doutoranda na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e no i3S, falou-nos sobre o seu trabalho que consiste no desenvolvimento de revestimentos naturais para próteses, visando a prevenção de infecções bacterianas nos implantes.  A Engenharia dos tecidos e a medicina regenerativa são áreas que sempre a fascinaram, pelo que “surgiu como opção natural continuar em investigação e prosseguir para doutoramento, pois ansiava desenvolver e aprofundar conhecimentos que permitam a partip1060995cipação em projetos com impacto científico e social”, nas palavras de Mariana Barbosa. Como notou um dos presentes, o trabalho da Mariana assume particular relevâcia, pois a colocação de uma segunda prótese é uma situação sempre bastante complexa e problemática para o doente e que deve ser evitada a todo o custo.

E foi assim a estreia do PubhD Porto que contou com a participação de três mulheres de ciência e com mais de 40 participantes na audiência. O próximo PubhD será a 23 de Fevereiro e contará, mais uma vez, com grande diversidade de temas, desde a Bioquímica à História.

 

 

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