As galáxias preferem ambientes com…poucas galáxias

Por que é que esta galáxia existe?  Por que é que esta galáxia existe com esta forma? Como é a vida de uma galáxia e o que determina a sua existência e morte? Estas são algumas das perguntas que, desde sempre, apaixonam Ana Afonso, oradora do último PubhD Porto, que teve lugar no dia 23 de Fevereiro, no Pinguim Café.

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Como se nos contasse uma história de embalar, a astrónoma explica-nos que, a partir de 1920, começou-se a perceber que haviam diversos tipos de galáxias [Galáxia é um conjunto de estrelas, de gás, de poeiras e de matéria escura]. Existem as galáxias irregulares, como a Grande Nuvem de Magalhães; as galáxias elípticas, como a Leo I; e as espirais, como a galáxia Andrómeda ou a nossa Via Láctea. Ana Afonso explica-nos que se consegue perceber a morfologia das galáxias em função dos seus elementos químicos.

Outros eventos históricos foram importantes para o conhecimento das galáxias, como a Guerra fria e a evolução da tecnologia militar que permitiu a utilização de telescópios no espaço. Mas, não se podendo ver uma galáxia, é possível simular modelos. E é também nisso que Ana Afonso trabalha. Curiosamente, a cientista focou uma parte da sua apresentação nos erros a evitar quando se tem uma galáxia como objecto de estudo. E, claro, “o primeiro cuidado a ter é conseguir uma amostra representativa de galáxias semelhante à nossa galáxia”, refere Ana Afonso. Em segundo lugar, é preciso atender à orientação das galáxias e perceber como estas evoluem. Actualmente, sabe-se que as galáxias nascem nas regiões de maior condensação da matéria escura, sendo a distribuição destas condensações aleatória.dsc03651

Ana Afonso contou-nos ainda que em regiões mais densas, a galáxia morre antes de chegar à zona densa, apesar de toda a interacção entre galáxias. A astrónoma avançou ainda algumas das conclusões a que tem chegado com a sua investigação, como a de que o ambiente preferencial para a nossa galáxia é um ambiente sem muitas galáxias.

“Façam parte deste enorme trabalho que é descobrir coisas novas”, incentivou a oradora.

A astrónoma Ana Afonso foi também uma revelação enquanto comunicadora de ciência cativando o público com o seu entusiasmo pela sua área e pela Ciência em geral. “A Ciência tem que ser o mais democrática possível”, referiu.  “Em Astronomia, beneficiamos imenso da colaboração uns com os outros porque numa mesma observação uns vêem o que escapou a outros por terem outro foco de pesquisa”.

A investigadora trabalha, actualmente, no levantamento do maior cluster (aglomerado) de galáxias que existe no hemisfério norte e sul.

 

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