PubhD # 6 Nutrição, Geriatria e fado num bar

No próximo PubhD Porto, que terá lugar no dia 29 de Junho, a partir das 21h30 no
bar Pinguim, vão juntar-se especialidades pouco faladas entre o público interessado em Ciência.
Diana Morais, docente, psicóloga e doutoranda em Gerontologia e Geriatria, no
ICBAS-Universidade do Porto, vem falar-nos da sua investigação que visa analisar a qualidade dos cuidados proporcionados por filhos adultos a pais envelhecidos, em função da vinculação e da maturidade filial.
A nutricionista Adryanna Cordeiro, doutoranda em Clínica Médica, Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
pretende avaliar o estado nutricional da vitamina D e a sua relação com alterações metabólicas em indivíduos com obesidade classe III no pré-operatório da cirurgia bariátrica.
Já Pedro Pestana, terapeuta da fala e doutorando na Universidade Fernando Pessoa, estuda as alterações na voz e os fatores que as provocam. A longo prazo, o orador e também cantor, pretende “modificar comportamentos que diminuam o risco de alterações da voz em fadistas”.
O PubhD (pub de bar e PhD de doutoramento) é um movimento internacional de
divulgação da ciência que surgiu em Nottingham (2014) e chegou a Portugal em 2015 (Lisboa). Por iniciativa de três investigadores de instituições universitárias do Porto, Filipa M. Ribeiro, Nuno Francisco e Ricardo Ferraz, esse movimento chegou à cidade do Porto em Janeiro de 2017 com o objetivo de dar voz à investigação dos jovens cientistas e divulgar, de forma criativa e informal, a investigação científica mais atual. O PubhD Porto tem uma frequência mensal, acontecendo sempre na última quinta-feira de cada mês, no Pinguim Café.
Entre os temas já abordados pelos 18 oradores que participaram no PubhD Porto até ao momento, constam: cancro, tecnologia da imagem, astrofísica, violência contra mulheres, história do Porto, oncobiologia, engenharia do ambiente, medicina regenerativa, comunicação em saúde, cosmologia. Aguardamos mais visitas e contribuições para futuras edições!

Mais informações:
https://www.facebook.com/PortoPubhd/
https://pubhdporto.wordpress.com/

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PubhD Porto # 6 Nutrição Clínica, Psicologia e Geriatria, Fado

Nutrição Clínica, Psicologia e Geriatria, fado e, talvez, uma canção aqui e ali. O próximo PubhD Porto vai trazer para a ribalta áreas menos populares na opinião pública. A delicada missão está a cargo de Adryana Cordeiro, doutoranda e mestre em Clínica Médica/Faculdade de Medicina/ UFRJ e na FMUP, que nos vem falar da relação entre o estado nutricional da vitamina D e o metabolismo em indivíduos obesos. Diana Morais, psicóloga e docente, vem falar-nos sobre geriatria e gerontologia. E Pedro Pestana, terapeuta da fala e cantor, vai explicar como se investiga sobre a voz, concretamente como é que se podem prevenir alterações na voz em fadistas.

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Cancro, Tecnologia da Imagem e Astrofísica no 3º PubhD Porto

PubhD Porto destaca o papel da tecnologia desde a prevenção do cancro à prestação de cuidados de saúde personalizados, passando pela detecção de planetas fora do sistema solar.  Tudo isto num bar. 

Como manter as pessoas motivadas para a mudança de comportamento? Esta é uma das questões chave que se tenta compreender no doutoramento de Nuno Ribeiro, investigador no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e doutorando em Multimédia e Educação na Universidade de Aveiro (UA). Como referido na sua apresentação no último PubhD Porto, no passado dia 30 de Março, no bar Pinguim, mais de metade dos casos de cancro são devido a opções comportamentais como o consumo de tabaco e álcool e a exposição à radiação ultravioleta. Por isso, não se pode falar em prevenção de cancro sem equacionar a questão problemática da mudança comportamental. O grande desafio é, pois, “como induzir a mudança de comportamento?” Nuno Ribeiro está a testar se as tecnologias móveis podem ou não ser um meio para promover essas mudanças de comportamento. Para isso desenvolveu uma aplicação para telemóvel que envia mensagens personalizadas aos utilizadores com o objectivo de induzir pequenas mudanças comportamentais que, de modo incremental, possam contribuir para a redução do risco pessoal de cancro. A Happy , “Health Awareness and Prevention Personalized for You” ou, em português “prevenção personalizada para si”, é o nome completo desta ferramenta que monitoriza o comportamento, sugere desafios saudáveis e dá a possibilidade de se ligar a outros utilizadores para partilha de resultados. Parte-se do pressuposto de que as atitudes de mudança podem ser lembretes e é isso que a aplicação faz: lembra coisas simples que o utilizador pode fazer para monitorar a sua saúde através da prevenção. Por exemplo, fazer um auto-exame à pele de 3 em 3 meses. As recomendações disponibilizadas pela aplicação baseiam-se em vários factores relacionados com o utilizador, com a informação que o utilizador dá sobre os seus comportamentos e com a localização geo-espacial do telemóvel. Nuno Ribeiro explica que, por exemplo, “se a pessoa estiver na praia durante o dia irá receber mensagens para se proteger do sol; se estiver no supermercado, a Happy vai sugerir-lhe comprar frutas e vegetais frescos”.

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Nuno Ribeiro

Por outro lado, lembrou o investigador, já na fase de interacção com o público que contava com 40 pessoas, há que considerar não apenas a mudança individual, mas também os factores ambientais. E deu o exemplo da corrida que, há 10 anos, era considerada uma actividade de uns poucos, mas que agora se tornou uma moda que arrasta multidões. “Não temos a noção do quão influenciáveis somos e nem sequer o admitimos”, conclui Nuno Ribeiro.

Imagens como montanhas

Bruno Ribeiro, Doutor em Cosmologia e Astrofísica pela Universidade Aix-Marseille, falou sobre a natureza e processamento das imagens em cosmologia e como esse conhecimento é útil para resolver outros problemas do nosso quotidiano, como, por exemplo, um idoso saber quando deve ou não tomar a sua medicação. Desde 2013, o trabalho de  Bruno Ribeiro tem estado intimamente ligado ao estudo da evolução das galáxias com muita formação estelar. Porém, fruto da sua paixão pelos computadores, programação e, sobretudo, pelo processamento de imagem, nos últimos meses o cientista abraçou um projecto na área da computação gráfica “uma vez que a forma como olhamos para os mais distantes objectos celestes não é em nada diferente da que necessitamos para resolver certos problemas tecnológicos que nos permitem melhorar a nossa vida e a dos que nos rodeia”. Assim, o trabalho de Bruno Ribeiro passa agora por reconhecer padrões que possam depois melhorar gadgets tecnológicos, como smartphones, tablets, smartwatches, dotando-os de capacidades para apoiar na prestação de cuidados de saúde domiciliários. “Para mim uma imagem é como uma montanha, o nível mais alto é também o mais brilhante e o mais baixo é o menos brilhante”, compara Bruno Ribeiro, definindo a imagem como o número de partículas em cada posição.

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Bruno Ribeiro

A velocidade das estrelas

Provavelmente conhecem o Pedro Figueira como sendo um dos cientistas portugueses que fez parte da equipa que descobriu planeta rochoso extrassolar mais próximo da Terra, já que ele participou nas observações do planeta, o HD 219134b, e da sua estrela, bem como no desenvolvimento dos “programas de computador utilizados para analisar os dados” recolhidos a partir de dois telescópios, “de modo a obter informações mais precisas”.

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Pedro Figueira

Quem esteve no último PubhD Porto teve a oportunidade de conhecer outras facetas deste astrofísico: a sua vivacidade, o sorriso e o grande à vontade para falar do que gosta. Com já 30 artigos publicados em revistas científicas de referência no campo da Astrofísica, Pedro Figueira falou sobre como se podem detectar planetas ao olhar para as estrelas, uma das linhas de investigação mais populares e com maior actividade na Astronomia.  Quando se mede a velocidade de uma estrela percebe-se se há algo que interrompa as ondas que se formam consoante uma estrela de afasta ou aproxima. Claro que muitos factores podem ser essa interrupção, mas se esta ocorre d forma sistemática e prolongada, pode tratar-se de um planeta. Actualmente, conhecem-se cerca  mais de 700 planetas, na sua maioria em sistemas com apenas um planeta. Mas existem também vários sistemas multiplanetários identificados.

Ora, Pedro Figueira explicou os principais métodos que se usam para o estudo de exoplanetas. A maioria dos planetas conhecidos foram descobertos através do método das velocidades radiais que consite, grosso modo, na medição da oscilação da velocidade radial de uma estrela, ou seja, da velocidade da estrela na nossa linha de visão, causada pela presença de um ou mais planetas em torno dessa mesma estrela. Contudo, este método dá poucas pistas sobre a constituição do planeta, sobre a sua densidade ou até mesmo sobre o raio do planeta. Por essa razão, entra em jogo o segundo método de que nos falou Pedro Figueira: o método dos trânsitos planetários se torna uma ferramenta crucial para o estudo de planetas extra-solares, pois permite estimar modelos da estrutura interna desses planetas. Uma das coisas que Pedro Figueira estudou na sua tese foi a aplicação desse método dos trânsitos no espectro dos infravermelhos, uma vez que já foi amplamente usado no espectro visível.

PubhD # 3 em contagem descrescente

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Nuno Ribeiro
Tema: tecnologias móveis, mudança comportamental e prevenção de cancro.
Bruno Ribeiro
Tema: Processamento digital de imagem e resolução de problemas
Pedro Figueira
Tema: Detecção e caracterização de planetas extrasolares

Como se mudam comportamentos para prevenir o cancro?

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Foto: Hugo Santos, Público

Como é que as tecnologias móveis, mais concretamente os smartphones, podem apoiar a mudança comportamental necessária à prevenção de cancro? Responder a esta pergunta é o principal objectivo do trabalho de doutoramento de Nuno Ribeiro, investigador no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e doutorando na Universidade de Aveiro. Segundo Nuno Ribeiro, quando “mais de metade dos casos de cancro são devido a opções comportamentais como o consumo de tabaco e álcool e a exposição à radiação ultravioleta. É necessário desenvolver estratégias que induzam os indivíduos a adotar comportamentos mais saudáveis e, deste modo, reduzir a incidência do cancro”.

Esta investigação baseia-se no modelo de mudança comportamental de Fogg e deu origem à primeira aplicação móvel portuguesa, com o nome Happy, e  que visa induzir pequenas mudanças comportamentais que, gradativamente, possam contribuir para a redução do risco pessoal de cancro.

A aplicação, que permite o envio de mensagens personalizadas aos utilizadores, possibilita ainda a monitorização do comportamento, sugere desafios saudáveis e dá a possibilidade de se ligar a outros utilizadores para partilha de resultados.

Nas palavras de Nuno Ribeiro, “sendo esta a primeira aplicação portuguesa de prevenção de cancro, o estudo que está a ser realizado desde que a aplicação foi lançada é o primeiro do género e permitirá reunir informações valiosas sobre a viabilidade e recetividade deste tipo de estratégias junto da população portuguesa”.

Segundo nota de imprensa emitida pelo i3S, “as recomendações disponibilizadas pela aplicação baseiam-se em vários fatores como a informação que o utilizador dá sobre os seus comportamentos e a localização geo-espacial do telemóvel. Nuno Ribeiro explica que, por exemplo, ‘se a pessoa estiver na praia durante o dia irá receber mensagens para se proteger do sol; se estiver no supermercado, a Happy vai sugerir-lhe comprar frutas e vegetais frescos'”.